Com produção menor, preço do feijão carioca mais que dobra em 12 meses

O preço de um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, o feijão carioca, mais que dobrou em um ano. O feijão carioca, variedade preferida no país, encareceu 105,26% em 12 meses e 89,26% só neste ano.

O carioquinha liderou a alta dos preços em junho, de acordo com dados da inflação oficial (IPCAdivulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (8).

Não foi só o carioca que subiu neste ano. Também ficaram mais caras outras variedades:

  • mulatinho: +84,38%;
  • preto: +30,44%
  • fradinho: +23,68%.

Com a disparada dos preços, o feijão carioca acabou virando alvo de piada nas redes sociais.

O principal motivo para a alta nos preços é o clima, que prejudicou a produção em duas safras seguidas, sobretudo no Paraná, principal produtor do país.

A primeira safra, que chegou ao mercado em março e abril, sofreu com o excesso de chuvas na região durante o plantio, no ano passado, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

A segunda safra, que foi para as gôndolas dos supermercados em maio e junho, sofreu o problema oposto: a falta de chuvas. A seca que atingiu principalmente o Paraná, mas também outros produtores, como o Mato Grosso, fez a safra de feijão cair mais uma vez.

Com menos feijão no mercado, o preço subiu. Em algumas lavouras, foi registrado até o roubo de quilos do produto ainda no .

Nesta semana, o IBGE divulgou uma estimativa de queda de 6,6% na produçãodo grão em 2016.

Liberação da importação

Em resposta à alta dos preços, o presidente interino Michel Temer anunciou, no final de junho, a liberação da importação de feijão de países do Mercosul para tentar forçar os preços para baixo.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que, com a importação, a oferta do produto no mercado deve aumentar em até 90 dias.

Mas especialistas contestam a eficácia da medida porque a variedade de feijão mais consumida no Brasil, o carioca, não é produzida em outros países.

O feijão carioca é um produto tipicamente brasileiro. Assim, o feijão cujo preço mais subiu não deverá entrar na “cota” de importados.

Quando o preço cai?

Se o feijão carioca só é produzido em larga escala no Brasil, quando a produção nacional deve começar a se normalizar?

Segundo Alcido Elenor Wander, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), isso só deve começar a acontecer com a próxima safra, entre o final de agosto e começo de setembro.

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